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Quarta-feira, 6 de Setembro de 2006

Assim

Aquele que sonha o Paraíso, nunca se reconcilia com a dor.

publicado por Temposfugidos às 20:13
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Quinta-feira, 10 de Agosto de 2006

Perguntas ao Acaso

A um comentário ouvido na RTPN  há cerca de dez dias, e feito por um jornalista, cuja graça me escapou e que afirmava ser o Hizzbollah uma organização humanitária muito respeitada:

Israel está a ser atacado por foguetes humanitários?

Qual seria o efeito de uma agressão com foguetes não-humanitários?

Qual a razão do apoio de tanta gente a uma organização que semeou o Líbano de pólvora?

publicado por Temposfugidos às 13:53
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Domingo, 6 de Agosto de 2006

Antes do fim do dia

publicado por Temposfugidos às 20:03
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Maigret

O Quai des Orfévres ardia no Verão parisiense. Incomodado pela transpiração e pelas moscas esvoaçando à sua volta, o Comissário retirou o seu cachimbo preferido, sem contudo se resolver a acendê-lo. As sandes e cervejas que Janvier encomendara à Brasserie Dauphine esperavam-no, intactas, sobre a secretária.

Entreabriu a porta. O fim-de-semana adivinhava-se calmo.Uma senhora de idade esperava ser recebida, sentada entre  dois velhos conhecidos da Brigada dos Costumes. O barulho das máquinas de escrever dos gabinetes dos inspectores. quase cessara.

Fechou a porta. M. Simenon, nome até então desconhecido, telefonara de manhã e prometera visitá-lo naquela tarde quente de Sábado. Ainda não chegara. Dissera-lhe que queria conversar consigo acerca de seu pai, caseiro de um castelo no Centro de França.

Um pouco enervado, mandou entrar a velha senhora a quem ouviu, não sem disfarçar um bocejo. Reparou  no seu olhar inquieto, como se receasse algo (ou simplesmente não ser ouvida) e  que usava um extravagante vestido às flores. Maigret prometeu que lhe enviaria Lucas, assim que  chegasse. Teve o vago pressentimento de que havia qualquer coisa errado, assim que a vekha sebhora saiu, 

  Contornou a secretária e dirigiu-se à janela aberta sobre o Sena. Barcaças, cansadas de calor, subiam o rio. Nas margens erguia-se uma névoa fosca. Namorados abraçavam-se na margem. Palavras soltas desprendiam-se das  conversas dos passantes.

Pensou uma última vez na visita de M. Simenon. Não compreendia o porquê daquele telefonema e isso  incomodava-o tanto como aquela espera em vão.   Ao fim e ao cabo, pensou, o que poderia dizer acerca de seu pai? A sua família não tinha segredos. Sorriu perante esse pensamento para logo depois se irritar consigo próprio.

 Desceu as escadas depois de desejar bom fim de semana aos inspectores e a Moers que, entretanto, chegara. Na entrada, despediu-se do porteiro (à demain, mon vieux!). Dera dois passos na rua quando uma leve dor no coração o sobressaltou. Parou um segundo antes de continuar a caminhada. Ocorreu-lhe a  imagem de Mme. Maigret na sua sala lendo uma revista enquanto o esperava para jantar . Outra vez aquela dor!

Seguiu em frente, enquanto os primeiros sinais da noite se derramavam sobre Paris.

 

 

publicado por Temposfugidos às 18:27
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Entre o céu e a terra

Viver no céu, sonhando a terra,

Viver na terra, sonhando o céu,

A fina linha de ouro do horizonte,

Esconde um espaço imenso e incolor.

publicado por Temposfugidos às 13:15
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Domingo, 23 de Julho de 2006

Sentimentos

Um noticiário televisivo abordava a guerra no Médio Oriente.

Duas reportagens:

Um soldado de Israel morto em combate descia à terra. A câmara, fugidia e um pouco afastada, pouco tempo se deteve a mostrar a dor de quem ficou.

Agora estamos no Líbano. A câmara detém-se num rosto feminino, como se a dor se quisesse derramar sobre tudo o que se via.  Duas lágrimas rolaram pela face da mulher e lentamente desceram até se desfazer. 

Dou comigo a pensar que a sociedade ocidental se está a tornar uma sociedade de sentimentos. Digo: ainda bem! Ainda bem que o humano se pode manifestar na plenitude da sua existência. Mas uma dúvida me ocorre e ocorrendo sugere limites: sociedades que se constituem em torno de sentimentos, implicarão regimes políticos capazes de se deixar impregnar sem que a racionalidade dos seus projectos e as regras da luta pelo poder sejam avaliadas.

Maquiavel vê a novela da noite e chora, vai ao estádio e coloca o cachecol no automóvel. Já não encontra palavras que lhe possam ser úteis. Apenas imagens.

O mundo islâmico radical compreende o beco sem saída. E conta uma fábula que se situa algures entre David e o Capuchinho Vermelho. Que nós aceitaremos, pois apenas queremos uma história. Mesmo que de moralidade incerta.

 As lágrimas de uma Mãe não serão transparentes.

publicado por Temposfugidos às 16:40
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Sábado, 22 de Julho de 2006

Génesis

Sábado.

O sétimo dia da Criação.

Dia de repouso para os humanos.

(E assim para todos os seres viventes!)

Uma luz mais intensa..

Dia de Sábado.

publicado por Temposfugidos às 16:33
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